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...

01.01.15

 

No ano passado…

Já repararam como é bom dizer “o ano passado”? É como quem já tivesse
atravessado um rio, deixando tudo na outra margem…Tudo sim, tudo
mesmo! Porque, embora nesse “tudo” se incluam algumas ilusões, a alma
está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se
poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia
dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei
com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como
se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo,
informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

“Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará
pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados”.

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio
pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as
autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito
longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque
resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz
para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são
para aproveitar em versos…

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do
tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
 Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é
um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição – morte do ano velho e
sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma
vida nova.

Mario Quintana



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